O ginásio como benefício: porque estão cada vez mais empresas portuguesas a oferecer aos colaboradores

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treinar ginásio

Durante anos, o ginásio pago pela empresa aos seus colaboradores foi visto como um benefício típico das multinacionais, a par com a fruta no escritório ou das mesas de pingue-pongue. Isso está a mudar. Em Portugal, cada vez mais pequenas e médias empresas incluem a atividade física no pacote de benefícios, e não o fazem por moda. Fazem-no porque as contas batem certo. Segundo o Eurobarómetro sobre desporto e atividade física, Portugal continua entre os países da União Europeia com maior percentagem de pessoas que nunca praticam exercício. Para uma empresa, esse dado não é abstrato: traduz-se em cansaço, dores de costas, baixas médicas e equipas com menos energia do que podiam ter.

O que ganha a empresa quando o colaborador treina

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A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana e associa o sedentarismo a um risco acrescido de doenças cardiovasculares, diabetes e depressão. Do lado das empresas, a leitura é direta. Uma pessoa que se movimenta com regularidade falta menos, concentra-se melhor e recupera mais depressa do desgaste do dia a dia.

Os estudos da Deloitte sobre saúde mental no trabalho apontam para um retorno médio na ordem de cinco vezes o valor investido em programas de bem-estar, sobretudo quando são preventivos e chegam a toda a equipa. Já o relatório State of the Global Workplace da Gallup mostra que a Europa é a região do mundo com menor percentagem de trabalhadores envolvidos com o seu trabalho. Cuidar da saúde física dos colaboradores é uma das formas mais concretas de mostrar que a empresa se importa, e essa perceção pesa tanto na retenção como o salário.

Há ainda um efeito menos medido, mas que qualquer gestor de pessoas reconhece. Quem treina de manhã ou ao fim do dia chega ao trabalho com outra disposição. O ginásio pago pela empresa não é um custo de recursos humanos, é um investimento em energia disponível.

Como as empresas costumam pôr este benefício em prática

A mecânica não exige nenhum produto especial. Nalguns casos, a empresa simplesmente paga ou comparticipa a mensalidade do colaborador num ginásio à sua escolha. Noutros, negoceia diretamente condições especiais com uma rede, sobretudo quando o número de colaboradores é elevado.

Há três formas habituais:

  • A empresa paga a totalidade da quota, o que funciona bem em equipas pequenas onde o benefício se torna visível e igual para todos.
  • A empresa comparticipa uma parte e o colaborador paga o resto, o formato mais comum, porque partilha o compromisso e evita inscrições que nunca se usam.
  • A empresa negoceia condições especiais sem pagar diretamente, uma opção útil quando o orçamento de benefícios ainda é curto mas existe vontade de começar.

Em qualquer dos casos, o benefício vale mais quanto mais fácil for de usar. Redes com presença em muitas cidades e sem fidelização longa, como é o caso da VivaGym, resolvem o problema clássico: o colaborador que muda de casa, de turno ou de equipa e deixa de conseguir treinar. Os planos e mensalidades da VivaGym variam consoante o ginásio e a modalidade escolhida.

O que ganha o colaborador (e porque adere)

Do lado de quem recebe, a barreira ao exercício raramente é a vontade. É o preço, a distância e o tempo. Quando a empresa retira o primeiro obstáculo e a rede resolve o segundo, sobra o terceiro, e esse resolve-se com hábito. Um benefício de ginásio bem desenhado transforma a intenção de “um dia começo” numa rotina concreta, porque a inscrição já está feita e o ginásio está a caminho.

Há também um efeito de equipa. Quando vários colegas frequentam o mesmo ginásio, criam-se rotinas partilhadas, aulas em conjunto e conversas que não cabem numa reunião. O bem-estar deixa de ser um assunto individual e passa a fazer parte da cultura da empresa. Para o colaborador, isso significa sentir-se cuidado e não vigiado. A empresa não exige resultados nem controla o desempenho físico. Dá acesso e deixa cada um treinar ao seu ritmo.

Vale sobretudo para os perfis mais jovens, que hoje comparam pacotes de benefícios com a mesma atenção com que comparam salários.

Numa entrevista, “temos ginásio pago” é uma frase que se ouve e se recorda.

Como pôr o benefício a funcionar sem que fique na gaveta

Muitos programas de bem-estar falham não na conceção, mas na comunicação. O benefício existe, está no manual de acolhimento e ninguém o usa. Alguns cuidados fazem a diferença:

  1. Apresentar o benefício no primeiro dia, com o passo a passo da inscrição, e não numa lista genérica de vantagens.
  2. Escolher uma rede com presença onde as pessoas vivem, não apenas junto à sede, porque em regime híbrido o ginásio perto de casa é o que se frequenta.
  3. Medir a adesão e falar dela, com números simples partilhados com a equipa e aproveitando momentos como o regresso das férias ou o arranque do ano, quando a vontade de começar é maior.

Pagar o ginásio aos colaboradores não é uma moda importada. É uma resposta pragmática a um problema que os dados do Eurobarómetro e da OMS descrevem há anos, e que as empresas portuguesas sentem todos os dias em baixas, cansaço e rotatividade. As que já o fazem não falam de custos, falam de equipas com mais energia e de pessoas que ficam.

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